Ações terapêuticas.
Antibacteriano.
Propriedades.
Trata-se de um derivado semissintético
da eritromicina que faz parte da família dos cetolídeos, uma nova classe de
agentes antibacterianos relacionados com os macrolídeos. A telitromicina inibe
a síntese proteica bacteriana por interferência na transdução de proteínas no
nível de RNA ribossômico 23S e bloqueio da formação das subunidades
ribossômicas 50S e 30S. É ativa frente a: a) bactérias aeróbias Gram-positivas:
Streptococcus pneumoniae suscetível ou resistente a penicilina G e
suscetível ou resistente a eritromicina A, Streptococcus pyogenes, Streptococcus
agalactiae, Streptococcus viridans, estreptococos beta-hemolíticos grupos
de Lancefield C e G, Staphylococcus aureus suscetível ou resistente a
eritromicina A por mecanismo induzível MLSB; b) bactérias aeróbias
Gram-negativas: Moraxella catarrhalis. Outras bactérias suscetíveis à
telitromicina são: Legionella spp, Legionella pneumophila, Chlamydia
pneumoniae, Chlamydia psittaci, Mycoplasma pneumoniae.O Haemophilus
influenzae e o Haemophilus parainfluenzae apresentam uma
suscetibilidade intermediária. As bactérias resistentes a este antibiótico são:
Staphylococcus aureus resistentes a eritromicina A, Enterobacteriaceae,
Pseudomonas e Acinetobacter. Demonstrou-se que a frequência de
desenvolvimento de resistência in vitro a mutações bacterianas
espontâneas por indução da telitromicina é muito pequena. Após sua
administração por via oral, a absorção ocorre rapidamente, apresentando uma
biodisponibilidade absoluta de aproximadamente 57% após uma dose única de 800
mg. A velocidade e o grau de absorção não são afetados pelo consumo de
alimentos e o fármaco é amplamente distribuído por todos os territórios. É
metabolizado principalmente no fígado tanto por isoenzimas CYP450 como por
enzimas não-CYP. A principal enzima CYP450 envolvida no metabolismo da
telitromicina é a CYP3A4. Após a administração oral, aproximadamente dois
terços da dose são eliminados na forma de metabólitos e o terço restante como
fármaco inalterado.Sua eliminação é realizada principalmente pelas fezes e, em
menor medida, através da urina.
Indicações.
Pneumonia leve ou moderada adquirida
na comunidade, exacerbação aguda de bronquite crônica, sinusite aguda, faringite
e/ou amigdalite causada por estreptococos betahemolíticos do grupo A, em casos
onde os antibióticos betalactâmicos não estejam apropriadamente indicados.
Posologia.
A dose recomendada por via oral é de
800 mg, uma vez ao dia. A duração do tratamento depende da patologia, como
segue: pneumonia adquirida, 7 a 10 dias; exacerbação aguda de bronquite
crônica, sinusite aguda, faringite/amigdalite causada por estreptococos
beta-hemolíticos do grupo A, 5 dias.
Superdosagem.
Em caso de superdosagem aguda, recomenda-se
realizar lavagem gástrica, aplicar tratamento sintomático e de suporte, manter
uma hidratação adequada e controlar os eletrólitos sangüíneos, especialmente o
potássio. Devido à possibilidade de prolongamento do intervalo QT e ao maior
risco de arritmias, deve-se realizar controle eletrocardiográfico.
Reações adversas.
As principais reações adversas
compreendem diarreia, náuseas, vômitos, dor gastrintestinal, flatulência,
aumento de enzimas hepáticas (TGO, TGP, fosfatase alcalina), tonturas, cefaleias,
alteração do paladar e candidíase vaginal. Mais raramente podem observar-se
constipação, anorexia, candidíase bucal, estomatites, icterícia colestática,
sonolência, insônia, nervosismo, parestesias, eosinofilia, visão turva, erupção
cutânea, urticária, prurido, eczema, rubor, palpitações, arritmia atrial,
hipotensão e bradicardia.
Precauções.
Dado que a telitromicina pode
prolongar o intervalo QT, recomenda-se administrar com precaução em pacientes
com cardiopatia coronariana, antecedentes de arritmias ventriculares,
hipopotassemia e/ou hipomagnesemia não corrigidas e bradicardia (inferior a 50
bpm). Do mesmo modo, recomenda-se administrar com precaução a pacientes sob
tratamento com outros fármacos que prolonguem o intervalo QT ou com inibidores
potentes de CYP3A4, tais como os inibidores de protease e o cetoconazol. Como
com quase todos os antibióticos, a manifestação de diarreia durante ou após o
tratamento, especialmente se é grave, persistente e/ou sanguinolenta, pode ter
origem em uma colite pseudomembranosa. Neste caso, a terapia deverá ser
imediatamente interrompida e instauradas medidas de apoio e/ou terapêuticas
específicas para o tratamento dos pacientes. A experiência no tratamento de
infecções causadas por S. Pneumoniae resistentes a penicilina ou
eritromicina é limitada, porém até o momento a eficácia clínica e os índices de
erradicação têm sido semelhantes aos conseguidos no tratamento de S.Pneumoniae
suscetíveis. Igualmente ao que ocorre com os macrolídeos, a suscetibilidade do H.
influenzae é classificada como de grau intermediário. Isto deve ser levado
em conta durante o tratamento de infecções causadas por H. influenzae. Como
a telitromicina pode causar efeitos indesejáveis que reduzem a capacidade para
realizar certas tarefas, recomenda-se alertar os pacientes sobre esta
possibilidade e que devem aguardar e estar seguros de como reagem ao tratamento
antes de dirigir veículos ou operar máquinas. Não é necessário realizar ajustes
de dose no caso de pacientes de idade avançada ou naqueles que apresentem
comprometimento de função hepática leve, moderada ou grave, e ainda em
pacientes com alterações renais leves a moderadas. A dose deverá ser reduzida à
metade em casos de disfunção renal grave (clearance de creatinina inferior a 30
ml/min). Não administrar a crianças (desconhece-se a eficácia e a segurança
nestes pacientes) nem durante a gravidez ou em período de amamentação. Não há
dados disponíveis sobre seu potencial efeito carcinogênico.A telitromicina e
seus principais metabólitos em seres humanos mostraram resultados negativos em
ensaios de potencial genotóxico, tanto in vitro como in vivo. Em
ratos, os estudos de toxicidade reprodutiva evidenciaram gametogênese reduzida
e efeitos adversos sobre a fertilização. Em doses elevadas, observou-se uma
evidente embriotoxicidade e um aumento da ossificação incompleta, ao lado de
anormalidades esqueléticas.
Interações.
Como a telitromicina é um inibidor da
enzima CYP3A4, recomenda-se não administrar concomitantemente com outros
fármacos que sejam substrato desta enzima, como a sinvastatina, o midazolam e a
cisaprida. Como alternativa possível, o tratamento com o substrato de CYP3A4
deveria ser suspenso durante o uso de telitromicina. Ademais, recomenda-se
administrar com precaução fármacos que sejam metabolizados pela enzima CYP2D6
pois demonstrou-se que, in vitro, a telitromicina também produz inibição
enzimática desta enzima. Não administrar simultaneamente com cisaprida,
pimozida, astemizol e terfenadina, pois a telitromicina produz aumento dos níveis
plasmáticos destes fármacos e, portanto, isto poderia provocar prolongamento do
intervalo QT e arritmias cardíacas, compreendendo taquicardia ventricular,
fibrilação ventricular e torsades de pointes. É conveniente atuar com
precaução quando se administra telitromicina a pacientes que fazem uso de
outros fármacos com possibilidade de prolongar o intervalo QT.Sua administração
concomitante com derivados de alcaloides do ergot, como ergotamina e
di-hidroergotamina, pode ocasionar vasoconstrição grave (ergotismo) com
eventual necrose de extremidades. A recomendação é não administrar estes
fármacos simultaneamente. O uso conjunto de telitromicina com sinvastatina
produz aumento na concentração plasmática máxima e no valor da área sob a curva
(AUC) de sinvastatina. Um efeito similar pode ser observado com estatinas
(lovastatina e atorvastatina), uma interação de menor importância com
cerivastatina e pouca ou nenhuma interação com pravastatina e fluvastatina. A
recomendação é evitar o uso concomitante com sinvastatina, atorvastatina e
lovastatina. No caso da cerivastatina, aconselha-se administrar com precaução e
controlar atentamente os pacientes a fim de detectar sinais e sintomas de
miopatia.O uso simultâneo com midazolam produz um aumento na meia-vida e nos valores
da AUC de midazolam; deste modo, recomenda-se evitar a administração oral do
hipnótico concomitantemente com telitromicina e ajustar as doses de midazolam
quando usado por via intravenosa e controlar o paciente. As mesmas precauções
são aplicáveis quanto ao uso simultâneo de telitromicina com outros
benzodiazepínicos metabolizados pelo CYP3A4, como o triazolam e o alprazolam.
Considera-se pouco provável a interação entre telitromicina e benzodiazepínicos
não metabolizados pelo CYP3A4, como temazepam, nitrazepam e lorazepam. A
telitromicina pode aumentar as concentrações sanguíneas de ciclosporina,
tacrolimus e sirolimus em virtude de sua ação inibitória da enzima CYP3A4,
responsável pelo metabolismo daqueles fármacos. Por isto, ao iniciar o tratamento
em pacientes que já estejam fazendo uso de algum daqueles agentes
imunossupressores, seus níveis devem ser controlados e suas doses devem ser
reduzidas quando necessário.A telitromicina aumenta as concentrações
plasmáticas de digoxina sem alterações significativas nos parâmetros
eletrocardiográficos nem sinais de toxicidade por este glicosídeo cardíaco.
Assim, recomenda-se realizar controles periódicos dos níveis séricos de
digoxina durante a administração concomitante de ambas as drogas. Não existe
interação farmacocinética clinicamente relevante entre a teofilina administrada
em uma formulação de liberação prolongada e a telitromicina. Não obstante,
ambos os fármacos devem ser co-administrados respeitando um intervalo de uma
hora entre um e outro a fim de evitar possíveis efeitos digestivos secundários
tais como náuseas e vômitos. A telitromicina não apresenta interação
farmacodinâmica ou farmacocinética clinicamente relevante com varfarina após
administração de uma dose única. Não obstante, não se pode descartar a
possibilidade de interação farmacodinâmica pela administração de doses
múltiplas. Não existe interação farmacodinâmica ou farmacocinética clinicamente
relevante com anovulatórios orais trifásicos de doses baixas em pacientes
sadias.A administração concomitante de indutores de CYP3A4, como a rifampicina,
a fenitoína, a carbamazepina, a erva-de-são-joão, pode provocar reduções
importantes nas concentrações plasmáticas de telitromicina e consequente
diminuição do efeito terapêutico. A indução diminui gradualmente durante as 2
semanas posteriores ao tratamento com indutores de CYP3A4. Portanto,
recomenda-se evitar o uso de telitromicina durante e nas 2 semanas posteriores
ao tratamento com indutores de CYP3A4. O uso simultâneo com itraconazol e cetoconazol
(inibidores de CYP3A4) provoca um aumento nas concentrações plasmáticas máximas
e nos valores AUC de telitromicina. Estas alterações na farmacocinética da
telitromicina não impõem qualquer ajuste da dose. Apesar de o efeito do
ritonavir sobre a telitromicina ser desconhecido, recomenda-se administrar
simultaneamente ambos os fármacos com precaução, devido a um possível aumento
dos níveis plasmáticos do antibiótico.A ranitidina, administrada 1 hora antes
de telitromicina, e os antiácidos que contêm hidróxido de alumínio e magnésio
não afetam a farmacocinética da telitromicina.
Contraindicações.
Pacientes com hipersensibilidade ao
fármaco ou antibióticos macrolídeos, naqueles pacientes com antecedentes
congênitos ou familiares de síndrome do QT prolongado (quando não houver
descarte mediante eletrencefalograma) e em pacientes com prolongamento
adquirida do intervalo QT. A telitromicina não deve ser usada concomitantemente
com cisaprida, derivados alcaloides do ergot (ergotamina e di-hidroergotamina),
pimozida, astemizol, terfenadina, sinvastatina, atorvastatina e lovastatina.