Ações terapêuticas.
Inibidor reversível da
acetilcolinesterase.
Propriedades.
Trata-se de um agente inibidor
reversível da colinesterase, que no nível central aumenta as concentrações de
acetilcolina no córtex cerebral; ao mesmo tempo, bloqueia a degradação da
acetilcolina liberada pelos neurônios colinérgicos ainda não lesados pelo
processo neurodegenerativo, que assim permanecem funcionantes. Não existe
evidência de que a tacrina altere o curso evolutivo da demência. Administrada
por via oral, é absorvida de forma rápida e alcança as concentrações
plasmáticas máximas em 1 a 2 horas. Os alimentos reduzem sua biodisponibilidade
em cerca de 30% a 40%, razão pela qual recomenda-se sua administração distante das
refeições. Este colinomimético central sofre um intenso processo de
biotransformação hepática por parte do sistema do citocromo P450 e se
transforma em múltiplos metabólitos que ainda não foram identificados. Sua
meia-vida de eliminação é de 2 a 4 horas, liga-se às proteínas plasmáticas em
cerca de 55%, e suas concentrações séricas médias são mais elevadas em mulheres
do que em homens.
Indicações.
Demência tipo Alzheimer leve ou
moderada.
Posologia.
As recomendações para a titulação das
doses estão baseadas na experiência dos estudos clínicos. A frequência da
graduação da dose pode diminuir caso o paciente se mostre intolerante ao
esquema de titulação recomendado mais adiante. Não obstante, não é recomendável
acelerar o esquema de aumento da dose. Os aumentos não supervisionados das
doses de tacrina podem acarretar consequências graves. Portanto, as alterações
nas doses não devem ser efetuadas em ausência de instrução direta do médico
assistente. Após o início do tratamento, ou diante de qualquer aumento da dose,
os pacientes devem ser estritamente vigiados quanto à manifestação de efeitos
adversos. Sempre que possível, a tacrina deve ser administrada entre as
refeições; não obstante, caso ocorra algum pequeno distúrbio gastrintestinal,
deve ser ingerida juntamente com as refeições para melhorar a tolerância. Caso
o fármaco seja administrado juntamente com as refeições, pode-se esperar uma
redução aproximada dos níveis plasmáticos de droga de 30% a 40%.Início do
tratamento: a dose inicial de tacrina (cloridrato de tacrina) é de 40 mg ao dia
(10 mg, 4 vezes ao dia). Esta dose deve ser mantida por um mínimo de seis
semanas com monitoramento semanal dos níveis de transaminases. É importante que
a dose não seja aumentada durante este período, porque o nível das transaminases
pode elevar-se de forma tardia. Titulação da dose: após seis semanas de
tratamento com 40 mg ao dia, a dose de tacrina deve ser elevada para 80 mg ao
dia (20 mg, quatro vezes ao dia) desde que não haja elevações significativas
das transaminases e o paciente tolere o tratamento. Os pacientes devem ser
titulados em dose altas (120 e 160 mg ao dia, em doses divididas em um esquema
de 4 vezes ao dia) com intervalos de 6 semanas na dependência da tolerância.
Ajuste da dose: os níveis de transaminases séricas (especialmente ALT/SGPT)
devem ser monitorados semanalmente pelo menos durante as primeiras 18 semanas
após o início do tratamento com tacrina, após o que a frequência do
monitoramento pode ser reduzido para uma vez a cada três meses.O monitoramento
semanal deve ser retomado em cada ocasião em que a dose de tacrina tiver sido
aumentada, com um intervalo adicional de 6 semanas. O monitoramento semanal
continuo (além das 18 semanas) pode estar indicado em pacientes com elevações
modestas (acima do dobro do limite superior ao normal). O ciclo de
monitoramentos completo e a sequência de titulação da dose deve ser repetido
caso um paciente suspenda o tratamento com tacrina por mais de 4 semanas.
Superdosagem.
Como em qualquer caso de superdosagem,
devem utilizar-se medidas gerais de suporte. A superdosagem com inibidores da
colinesterase pode causar uma crise colinérgica caracterizada por náuseas e
vômitos intensos, salivação, sudoração, bradicardia, hipotensão, colapso e
convulsões. O aumento da fraqueza muscular é uma possibilidade e pode causar a
morte caso haja comprometimento dos músculos respiratórios. Os anticolinérgicos
terciários, como a atropina, podem ser utilizados como antídoto para a
superdosagem de tacrina. Recomenda-se o sulfato de atropina intravenoso
titulado: dose inicial de 1 a 2 mg IV, com doses seguintes administradas
conforme a resposta clínica. Relataram-se aumentos atípicos na pressão
sanguínea e na frequência cardíaca com outros colinomiméticos quando
administrados conjuntamente com anticolinérgicos quaternários, como o
glicopirrolato. Não se sabe se a tacrina ou seus metabólitos podem ser
eliminados mediante diálise (hemodiálise, diálise peritoneal ou
hemofiltração).A dose letal média de tacrina, estimada após uma dose oral única
em ratos, é de 40 mg/kg, ou aproximadamente doze vezes a dose humana máxima
recomendada, que é de 160 mg ao dia. Os sinais de estimulação colinérgica que
se observaram em animais, relacionados com a dose, compreenderam vômitos,
diarreia, sudoração, lacrimejamento, ataxia, convulsões, tremores e movimentos
estereotipados de cabeça e corpo.
Reações adversas.
Registraram-se náuseas, vômitos,
agitação, anorexia, bradicardia, confusão mental, rash cutâneo,
mialgias, diarreia, ataxia, dispepsia, vertigens e tremores, alguns dos quais
parecem ser dependentes da dose. Podem detectar-se elevações das enzimas
hepáticas (transaminases, gama-glutaril transpeptidase) e da bilirrubina, razão
pela qual recomenda-se seu controle periódico, em especial nas primeiras 18 semanas
do tratamento.
Precauções.
Não se recomenda seu emprego em
pacientes com antecedentes de insuficiência hepática, doença ulcerosa
gastroduodenal, asma brônquica. Anestesia geral: pode acentuar o relaxamento
muscular induzido pela succinilcolina. Não se podem descartar efeitos sobre a
fertilidade, mutagênese, teratogênese e carcinogênese. Não existem estudos
pediátricos adequados e controlados que assegurem a eficácia e tolerância do
fármaco em crianças. Recomenda-se uma estrita farmacovigilância durante os
primeiros dois anos a partir de sua aprovação. Recomenda-se vigiar
periodicamente (a cada 8, 15, 30 e 90 dias) a função hepática.
Interações.
Pode haver aumento da teofilinemia
quando a tacrina é associada à administração de teofilina. A cimetidina pode
aumentar a Cmáx e a AUC da tacrina em 54% a 64% dos pacientes. Pode
haver interferência sobre a atividade dos fármacos anticolinérgicos e
potencialização do efeito da succinilcolina, do betanecol ou dos inibidores da
colinesterase. Não se registraram interações significativas com digoxina,
diazepam, varfarina ou antiácidos contendo alumínio ou magnésio.
Contraindicações.
Hipersensibilidade à droga.
Antecedentes de hepatopatia aguda ou crônica. Pacientes que tenham desenvolvido
elevação das transaminases ou icterícia em exposições prévias à tacrina.
Síndrome do nó sinusal. Insuficiência renal. Antecedentes de úlcera
gastroduodenal. Gravidez e lactação.