Ações terapêuticas.
Hormônio tireóideo. Agente de
diagnóstico da função tireóidea.
Propriedades.
Droga de origem sintética. Embora a
ação dos hormônios tiróideos não esteja bem esclarecida, sabe-se que tem
efeitos catabólicos e anabólicos e, portanto, participam nos processos normais
do metabolismo, crescimento e desenvolvimento, principalmente no SNC de
crianças. As concentrações de hormônios circulantes são reguladas por um
sistema de retroalimentação no qual estão envolvidos o hipotálamo, a hipófise
anterior e a tireóide. A absorção oral é incompleta e variável (50 a 75%),
especialmente quando tomada com alimentos, e pode ser menor em pacientes com
síndrome de má absorção ou diarreia. Sua união às proteínas é muito elevada
(mais do que 99%). O metabolismo é igual ao do hormônio tiróideo endógeno:
perde o iodo nos tecidos periféricos, metabolizam-se pequenas quantidades no
fígado e excretam-se na bile. A meia-vida varia: no eutireoidismo é de 6 a 7
dias, no hipotireoidismo de 9 a 10 dias e no hipertireoidismo de 3 a 4 dias. A
ação terapêutica continua após a interrupção do tratamento por 3 ou 4 semanas.
Indicações.
Tratamento do hipotireoidismo por
deficiência de hormônio tireóideo de qualquer etiologia, assim como o bócio
simples (não-endêmico) e na tireoidite linfocítica crônica (de Hashimoto).
Supressão do crescimento de bócios adenomatosos e para prevenir os efeitos
bociogênicos de outros fármacos (lítio, ácido aminosalicílico e alguns
compostos tipo sulfamida). Carcinoma da glândula tireóidea, dependente de
tirotropinas. Estudos da função tireóidea.
Posologia.
Dose usual para adultos, forma oral:
hipotireoidismo leve: 0,05 mg/dia como dose única, com aumentos de 0,025 a 0,05
mg a intervalos de 3 a 4 semanas. Hipotireoidismo grave: 0,0125 a 0,025 mg/dia
como dose única com aumentos de 0,025 mg a intervalos de 3 a 4 semanas.
Manutenção: 0,075 a 0,125 mg/dia como dose única. Em pessoas de idade avançada:
0,075 mg/dia. Doses pediátricas usuais, crianças menores de 6 meses: 5 a 6
mg/kg/dia; crianças de 6 a 12 meses: 5 a 6 mg/kg/dia; crianças de 1 a 5 anos: 3
a 5 mg/kg/dia; crianças de 6 a 12 anos: 4 a 5 mg/kg/dia; crianças com mais de
12 anos: 2 a 3 mg/kg/dia, até alcançar a dose para adultos. Forma injetável -
hipotireoidismo: via IV ou IM 0,05 a 0,1 mg/dia como dose única. Coma
mixedematoso: 0,2 a 0,5 mg, seguidos de doses menores até que o paciente possa
tolerar a administração por via oral. Doses pediátricas - IV ou IM, dose
diária: 75% da dose oral pediátrica normal.
Reações adversas.
Estão relacionadas com as doses, que
variam de um paciente para outro. Em lactentes, as doses excessivas podem
produzir craneossinostose. Em crianças, pode ocorrer perda parcial de cabelo
durante os primeiros meses de tratamento. Os sinais de superdosagem são:
diarreia, aumento de apetite, alterações do ciclo menstrual, taquicardia,
febre, tremor das mãos, cãibras, insônia, suores, vômitos, perda de peso.
Precauções.
Não foram evidenciados efeitos
adversos durante a gravidez para o feto, nem na lactação. As pessoas idosas
podem ser mais sensíveis aos efeitos dos hormônios tireóideos e, em geral,
requerem uma dose 25% menor que adultos com menos idade. É importante o
monitoramento assíduo por parte do médico. Deve-se ter cuidado em casos de
angina ou doença arterial coronária.
Interações.
Os efeitos anticoagulantes dos
derivados da cumarina podem alterar conforme o estado tireóideo do paciente; um
aumento da dose de hormônio tireóideo pode determinar uma diminuição na dose de
anticoagulante oral. O uso simultâneo com antidepressivos tricíclicos ou
simpaticomiméticos pode aumentar os efeitos destes medicamentos,
potencializando-se o risco de insuficiência coronária com drogas
simpaticomiméticas em pacientes com doença coronária. Pode afetar as
necessidades de insulina ou de hipoglicemiantes orais em pacientes diabéticos.
A colestiramina ou o colestipol podem diminuir os efeitos dos hormônios
tireóideos. Os indutores de enzimas hepáticas aumentam a degradação de
levotiroxina no fígado. O uso simultâneo com somatotropina pode acelerar a
maturação da epífise.
Contraindicações.
A relação risco-benefício deverá ser
avaliada na presença de insuficiência adrenocortical, doenças cardiovasculares,
diabetes mellitus, hipertireoidismo, estados de má absorção, insuficiência
hipofisária; tirotoxicose que esteja sendo tratada com fármacos antitireóideos.