Ações terapêuticas.
Anti-hipertensivo.
Propriedades.
É um novo antagonista da angiotensina
II (ATII) com características semelhantes às de seus predecessores (iosartana,
valsartana), que atua especificamente sobre os receptores AT 1
localizados na musculatura lisa das paredes vasculares arteriais. O efeito
agonista da ATII sobre estes receptores vasculares responsáveis pela
vasoconstrição, aumento da resistência periférica e hipertensão arterial é
antagonizado pela irbesartana, que bloqueia o receptor AT 1 de forma
específica e seletiva (10 vezes mais do que a losartana). A irbesartana possui
excepcional farmacocinética, com elevado índice de absorção gastrintestinal
(60%-80%), que não é afetado pela presença de alimentos. Outras características
destacadas são suas concentrações plasmáticas sustentadas e prolongadas, e sua
longa meia-vida sérica (11-19 horas), o que permite manter os valores
sisto-diastólicos normalizados durante 24 horas com uma única dose
diária.Farmacocineticamente, não requer biotransformação metabólica para atuar,
pois não é uma pró-droga, nem tampouco se necessita ajuste posológico em
pacientes de risco (idosos, insuficiência renal, insuficiência hepática), e
apresenta, além disso, elevada taxa de ligação proteica (99%) com dupla via de
eliminação: biliar (75%) e renal (25%). Em doses de 150-300 mg/dia demonstrou
ter eficácia crônica similar a outros agentes anti-hipertensivos como atenolol
(50-100 mg/dia), enalapril (10-40 mg/dia), amlodipina (5-10 mg/dia), losartana
(50-100 mg/dia), valsartana (80-320 mg/dia). Devido a sua elevada afinidade
pelo receptor AT 1 e seus prolongados níveis plasmáticos, possui
excelente índice de bloqueio do receptor (IBR). Uma característica destacada da
irbesartana é sua elevada aceitação e sua ótima tolerância medicamentosa,
semelhante ao placebo. A irbesartana não provoca efeito rebote quando da sua
suspensão, não apresenta efeito de primeira dose e não desenvolve tolerância
medicamentosa (perda do efeito terapêutico durante terapia crônica).
Indicações.
Hipertensão arterial primária ou
secundária leve, moderada ou grave.
Posologia.
A dose média recomendada é de 150 mg
por dia, em tomada única. Em pacientes que não respondem ou com hipertensão
grave, podem empregar-se 300 mg/dia em dose única, ou pode-se associá-la com
hidroclorotiazida ou outros agentes anti-hipertensivos. Não é necessário
modificar o esquema posológico em pacientes com insuficiência hepática ou renal
em idosos. Em pacientes com depleção da volemia ou de sal, aconselha-se uma
dose inicial de 75 mg/dia.
Superdosagem.
Não se dispõe de dados sobre a
superdose em seres humanos. Não obstante, doses elevadas (900 mg/dia)
administradas por longos períodos (8 semanas) foram bem toleradas. As
manifestações mais prováveis com a irbesartana deveriam ser taquicardia e
hipotensão arterial e, ocasionalmente, bradicardia. O fármaco não é eliminado
por hemodiálise.
Reações adversas.
A tolerância deste antagonista da
angiotensina II de última geração é excelente, e somente foram registrados
efeitos indesejáveis tais como dispepsia, cefaleia, astenia, náuseas, diarreia,
em proporções semelhantes às do placebo, e o mesmo foi observado quanto à
porcentagem de abandono ou descontinuação do tratamento.
Precauções.
Não foram estabelecidas a eficácia e
segurança em pacientes pediátricos. Desconhece-se se a ibersartana é eliminada
no leite materno e por isso deverá ser avaliada a relação risco/benefício para
a mãe, ou aconselhar a suspensão da amamentação. Desconhece-se seu emprego em
pacientes com estenose unilateral ou bilateral da artéria renal. As pacientes
em idade fértil devem ser informadas sobre as consequências no segundo e
terceiro trimestres da gravidez dos agentes que atuam no sistema
renina-angiotensina.
Interações.
Não foram detectadas interações
farmacocinéticas com digoxina, varfarina ou nifedipina, nem tampouco com
aqueles fármacos cuja biotransformação metabólica depende das enzimas do
citocromo P450.
Contraindicações.
Hipersensibilidade ao princípio ativo.