Ações terapêuticas.
Hipoglicemiante oral.
Propriedades.
Pertence ao grupo das sulfonilureias.
É um derivado da sulfonamida, porém não tem atividade antimicrobiana. Promove o
aumento da secreção de insulina por parte das células das ilhotas do
pâncreas, mediante um procedimento que, todavia, não está especificamente definido.
Diminui a glicogenólise e a gliconeogênese hepática e, aparentemente, aumenta a
sensibilidade à insulina dos tecidos extrapancreáticos. Disso resulta uma
diminuição da concentração de glicose no sangue, somente naqueles pacientes que
são capazes de sintetizar insulina. Os hipoglicemiantes orais não influem na
produção de insulinas pelas células , mas parecem potencializar sua liberação
destas células pancreáticas. Assim mesmo, a clorpropamida parece potencializar
o efeito dos mesmos níveis de hormônio antidiurético presentes nos pacientes
com diabetes insípida central parcial. Sua meia-vida é de 25 a 60 horas; a
concentração máxima é obtida de 3 a 6 horas após sua administração. Sua ação
dura de 24 a 48 horas, com rápida absorção por via oral.Apresenta uma elevada
união às proteínas (90%); metaboliza-se 80% no fígado e excreta-se por via
renal. A administração a longo prazo de doses terapêuticas não produz uma
acumulação excessiva no sangue, dado que os níveis de absorção e de excreção se
estabilizam entre 5 e 7 dias após o início do tratamento.
Indicações.
Diabetes mellitus do adulto
não-dependente de insulina, não-complicada, estável, leve ou moderadamente
grave, não-cetótica e que não pode ser controlada somente com a dieta. Diabetes
insípida central parcial. A clorpropamida deve ser um tratamento complementar
da dieta específica do diabético e não-suplementar desta. No caso de a
patologia não poder ser controlada com dieta e clorpropamida, pode ser
associada uma biguanida (metformina, fenformina).
Posologia.
Embora não haja um regime de dose fixo
para a clorpropamida, uma vez que deverá ser determinada a glicose na urina e a
glicemia para estabelecer a dose mínima eficaz, são descritas as doses usuais.
Dose usual para adultos: inicialmente, de 100 a 250 mg 1 vez ao dia, com
aumentos de 50 e 125 mg em intervalos de uma semana, até obter o controle do
diabetes ou até que a dose diária seja de 750 mg; como antidiurético: de 100 a
250 mg em uma só dose diária; a dose ajustada cada 2 ou 3 dias, conforme a
necessidade e tolerância, até 500 mg por dia. Doses pediátricas usuais: não é
eficaz no diabetes juvenil. Em pacientes idosos, deverá começar-se com uma dose
de 125 mg diários por serem mais sensíveis aos efeitos hipoglicemiantes das
sulfonilureias. Se estiver sendo ministrada insulina, esta deve ser suspensa
por completo.
Reações adversas.
Em geral, dependem da dose
administrada, são transitórias e respondem à diminuição ou suspensão do
tratamento. Raras vezes podem ocorrer icterícia colestática, náuseas,
diarreias, vômitos, anorexia e fome. Em menos de 3% dos casos foi registrado
prurido e, com menor incidência, urticária e erupções maculopapulosas. Foi
informada a aparição de porfiria cutânea e reações de fotossensibilidade. Com o
uso de sulfonilureias foram comunicadas leucopenia, agranulocitose,
trombocitopenia, anemia hemolítica, anemia aplástica e pancitopenia. Foram
descritas também: dificuldade para respirar, sensação de falta de ar,
sonolência ou cãibras musculares, crises convulsivas.
Precauções.
Deverá se ter cuidado com a dose em
pacientes de idade avançada, debilitados ou mal nutridos e naqueles com
insuficiência suprarrenal ou hipofisária, ou com disfunção hepática ou renal,
que são especialmente sensíveis à ação hipoglicemiante dos medicamentos que
diminuem a glicose. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das
sulfonilureias podem originar maior incidência de infecções microbianas,
retardo na cicatrização e hemorragia gengival. Se for utilizada clorpropamida
durante a gravidez, deve ser suspensa um mês antes da data prevista para o
parto. Não se recomenda a utilização do fármaco durante o período de lactação.
Interações.
Os glicocorticoides, anfetaminas,
diuréticos, hormônios tireóideos e fenitoína aumentam a concentração de glicose
no sangue, razão pela qual pode ser necessário ajustar a dose quando usados
simultaneamente com hipoglicemiantes orais. O álcool com hipoglicemiantes orais
pode produzir cãibras abdominais, náuseas, vômitos, sufoco, hipoglicemia. O
alopurinol pode inibir a secreção tubular renal da clorpropamida. Os esteroides
anabólicos ou andrógenos podem diminuir a concentração de glicose no sangue. O
uso simultâneo com anticoagulantes derivados da cumarina pode dar origem a
concentrações plasmáticas elevadas de ambos os medicamentos. Os analgésicos
anti-inflamatórios não esteroides, cloranfenicol, clofibrato ou IMAO podem
potencializar o efeito hipoglicemiante da clorpropamida. A carbamazepina,
desmopressina ou vasopressina podem potencializar o efeito antidiurético desta droga
e diminuir seu efeito quando administrada com estrogênios. Cetoconazol ou
miconazol em uso simultâneo com clorpropamida dá lugar a hipoglicemia grave.
Contraindicações.
Acidose, queimaduras graves, coma
diabética, infecção aguda, cetoacidose. A relação risco-benefício deverá ser
avaliada na presença de insuficiência suprarrenal, febre elevada, disfunção
hepática ou renal, insuficiência hipofisária. Hipersensibilidade conhecida ao
fármaco. Diabetes mellitus insulinodependente (forma juvenil).