Ações terapêuticas.
Antipsicótico, antiemético.
Propriedades.
Como antipsicótico, atua bloqueando os
receptores pós-sinápticos dopaminérgicos mesolímbicos no cérebro. As
fenotiazinas também produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e deprimem a
liberação de hormônios hipotalâmicos e hipofisários. Ainda assim, o bloqueio
dos receptores dopaminérgicos aumenta a liberação de prolactina na hipófise.
Como antiemético, inibe a zona disparadora quimiorreceptora medular, e sua ação
ansiolítica pode ocorrer por redução indireta dos estímulos sobre o sistema reticular
do talo encefálico. Além disso, os efeitos de bloqueio alfa-adrenérgico podem
ocasionar sedação. Seu metabolismo é hepático e elimina-se por via renal e
biliar.
Indicações.
Tratamento dos distúrbios psicóticos;
é eficaz na esquizofrenia e na fase maníaca da doença maníaco-depressiva.
Tratamento do controle de náuseas e vômitos graves em pacientes selecionados.
Terapêutica alternativa para fármacos de primeira linha no tratamento de curto
prazo (não mais de 12 semanas) da ansiedade não psicótica. Tratamento de
problemas graves de comportamento em crianças (hiperexcitabilidade). Tratamento
coadjuvante de tétano e na porfiria aguda intermitente.
Posologia.
Forma oral: comprimidos. Dose usual
para adultos: 10 a 50 mg, de 2 a 6 vezes ao dia, ajustando a dose de forma
gradual conforme a necessidade e tolerância. Os pacientes geriátricos e
debilitados requerem uma dose menor. Dose máxima: até 1 grama diário. Doses
pediátricas usuais, crianças de 6 meses em diante: 0,55 mg/kg ou 15 mg/m 2
4 vezes ao dia (geralmente em solução oral ou xarope). Injetável, adultos, via
IM: de 25 a 50 mg repetidos em uma hora, se for necessário, e a cada 3 a 12
horas; a partir de então, conforme a necessidade ou tolerância. Via IV: de 25 a
50 mg diluídos em uma concentração de não mais que 1 mg/ml com cloreto de sódio
injetável e administrados a um ritmo de 1 mg por minuto. Dose máxima: até 1
grama ao dia. Doses pediátricas, crianças com mais de 6 meses: via IM ou IV,
0,55 mg/kg ou 15 mg/m 2 a cada 6 a 8 horas, conforme a necessidade;
até 40 mg ao dia para crianças de 6 meses a 5 anos e até 75 mg ao dia para
crianças de 5 a 12 anos.
Reações adversas.
São de aparição mais frequente: visão
turva ou qualquer alteração na visão, movimentos de torção do corpo por efeitos
parkinsonianos extrapiramidais distônicos. Hipotensão, constipação, enjoos,
sonolência, secura na boca, congestão nasal. Raramente se observa discinesia
tardia, micção difícil (por efeito antimuscarínico), erupção cutânea,
distúrbios do ciclo menstrual, hipersensibilidade à luz solar, galactorreia,
náuseas, vômitos.
Precauções.
Os pacientes que não toleram uma
fenotiazina podem não tolerar outras. As medicações antipsicóticas elevam as
concentrações de prolactina, que persistem durante a administração crônica. Em
recém-nascidos cujas mães receberam fenotiazinas no final da gravidez foram
descritas icterícia prolongada, hipor-reflexia ou hiper-reflexia e efeitos
extrapiramidais. Durante a lactação observa-se sonolência no lactente. Os
pacientes geriátricos necessitam de uma dose inicial mais baixa, pois tendem a
desenvolver concentrações plasmáticas mais elevadas, são mais propensos à
hipotensão ortostática e mostram uma sensibilidade aumentada aos efeitos
antimuscarínicos e sedativos das fenotiazinas. Também são mais propensos a
desenvolver efeitos colaterais extrapiramidais, como discinesia tardia e
parkinsonismo. Sugere-se administrar aos pacientes idosos a metade da dose
usual do adulto. Por seu efeito antimuscarínico, pode diminuir ou inibir o
fluxo salivar e contribuir para o desenvolvimento de cáries, doença periodontal
e candidíase oral.Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das fenotiazinas
podem aumentar a incidência de infecção microbiana, retardo na cicatrização e
hemorragia gengival.
Interações.
Os anti-histamínicos e os
antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos das fenotiazinas,
principalmente confusão, alucinações e pesadelos. As anfetaminas podem produzir
redução dos efeitos antipsicóticos das fenotiazinas e estas diminuem o efeito
estimulante das anfetaminas. As fenotiazinas podem baixar o limiar para crises
convulsivas, sendo necessário ajustar a dose dos anticonvulsivos. Podem inibir
o metabolismo da fenitoína e dar origem a toxicidade por fenitoína. O uso
simultâneo com antitireoidianos pode aumentar o risco de agranulocitose; com a
bromocriptina, podem aumentar as concentrações séricas de prolactina. Pode-se
inibir os efeitos antiparkinsonianos da levodopa devido ao bloqueio dos
receptores dopaminérgicos no cérebro. O uso simultâneo com bloqueadores
beta-adrenérgicos origina uma concentração plasmática elevada de cada
medicação.
Contraindicações.
Depressão grave do SNC, estados
comatosos, doença cardiovascular grave. A relação risco-benefício deve ser
avaliada nas seguintes situações: alcoolismo, angina pectoris, discrasias
sanguíneas, glaucoma, disfunção hepática, mal de Parkinson, úlcera péptica,
retenção urinária, síndrome de Reye, distúrbios convulsivos, vômitos (posto que
a ação antiemética pode mascarar os vômitos como sinal de superdosagem de
outras medicações).