Propriedades.
O cloprednol é um glicocorticoide
sintético, o qual, administrado por via oral, apresenta absorção completa,
apresentando pico de concentração máxima 1 hora após a administração. Quanto à
sua distribuição, atravessa a barreira hematoencefálica e a barreira
placentária. Desconhece-se sua captação pelo feto. É eliminado pela urina em
cerca de 75% e pelas fezes em cerca de 15%. Sua meia-vida é de 2 horas. O
cloprednol apresenta o dobro da potência da prednisona; 2,5 mg de cloprednol =
5 mg de prednisona = 5 mg de prednisolona = 4 mg de triancinolona = 4 mg de
metilprednisolona = 0,075 mg de dexametasona = 0,6 mg de betamesona = 25 mg de
cortisona.
Indicações.
Enfermidades reumáticas: artrite
reumatoide, espondilite anquilosante, bursite aguda e subaguda, tenossinovite
aguda inespecífica. Artrite gotosa aguda, osteoartrite pós-traumática, sinovite
de osteoartrite, epicondilite, artrite psoriásica. Doenças do colágeno: lúpus
eritematoso sistêmico, cardite reumática aguda. Doenças dermatológicas:
dermatites de contato, dermatite atópica, eritema multiforme grave (síndrome de
Stevens-Johnson), psoríase intensa, dermatite seborréica grave, dermatite
herpetiforme bolhosa, dermatite esfoliativa, micose fungoide e pênfigo. Estados
alérgicos: asma brônquica, rinite alérgica perene ou sazonal, reações de
hipersensibilidade a medicamentos, doença do soro. Doenças oftálmicas: neurite
óptica, oftalmia simpática, queratite, úlcera córnea marginal alérgica,
conjuntivite alérgica, irite e iridociclite, coriorretinite, inflamação do
segmento anterior, uveíte posterior difusa e coroidite.Doenças respiratórias:
síndrome de Loeffler insensível a outros tratamentos, sarcoidose sintomática,
beriliose, tuberculose pulmonar disseminada ou fulminante, quando se usa
paralelamente com a quimioterapia antituberculose apropriada. Doenças
hematológicas: púrpura trombocitopênica idiopática do adulto, trombocitopenia
secundária em adultos, anemia hemolítica adquirida, anemia hipoplásica
congênica (eritroide), eritroblastopenia (anemia eritrocitária). Colite
ulcerativa e enterite regional. Adjuvante no tratamento de leucemia aguda na
infância, leucemia e linfomas em adultos. Indutor de diurese ou remissão da
proteinúria na síndrome nefrótica.
Posologia.
Adultos: dose inicial: via oral, 1,25
mg a 12,5 mg ao dia, convenientemente na parte da manhã. A dose deverá ser
reduzida gradativamente em pequenas quantidades até o nível mínimo capaz de
controlar a atividade de enfermidade. Crianças: dose inicial: via oral, 0,25 a
1 mg/kg por dia ou 7 a 30 mg/m 2 por dia. A dose inicial deverá ser
reduzida ao mínimo ou o tratamento deverá ser interrompido após quatro semanas.
Superdosagem.
Caso ocorra superdose, recomenda-se
lavagem gástrica e terapia de suporte, a qual deve incluir controle
hidroeletrolítico estrito.
Reações adversas.
Compreendem insuficiência cardíaca
congestiva em pacientes suscetíveis, hipertensão, fraqueza muscular,
osteoporose, fraturas vertebrais por compressão, fraturas patológicas de ossos
longos, úlcera péptica, pancreatite, retardo da cicatrização de feridas,
petéquias e equimoses, aumento da pressão intracranial com papiledema,
transtornos psíquicos, aumento da pressão intraocular, glaucoma, balanço
nitrogenado negativo devido a catabolismo. Os corticosteroides podem causar
catarata subcapsular posterior, glaucoma, lesão do nervo óptico e infecções
oculares secundárias.
Precauções.
Recomenda-se não administrar a
pacientes com úlcera péptica, osteoporose, psicose, psiconeuroses graves ou
infecções agudas, visto que os sinais de irritação peritoneal após perfuração
gastrintestinal podem ficar mascarados em pacientes que recebem o fármaco.
Aconselha-se administrar com precaução em pacientes com insuficiência cardíaca
congestiva, diabetes mellitus, doenças infecciosas, insuficiência renal
crônica, uremia e em pacientes idosos. No caso de pacientes com tuberculose,
recomenda-se administrar apenas como complemento dos fármacos antituberculose.
A administração de cloprednol pode exacerbar os sintomas em pacientes com
hipotireoidismo ou com alterações hepáticas ou renais. Além disto, podem
agravar-se as tendências psicóticas, a insônia e as alterações no estado de
ânimo e na personalidade, e a euforia ou a depressão em pacientes previamente
normais. A interrupção do cloprednol pode gerar sintomas de abstinência que
incluem febre, mialgia, artralgia e mal-estar mesmo na ausência de
insuficiência adrenal evidente.Em condições de estresse, recomenda-se aumentar
a dose de cloprednol previamente, durante e depois do evento. Nessa
eventualidade, terão que ser administrados paralelamente sal e/ou um
mineralocorticoide. Dado que o cloprednol pode ocasionar retardo do crescimento
durante a infância e a adolescência, recomenda-se administrar a dose mínima e
pelo menor espaço de tempo possível. Além disto, previamente devem ser tratadas
a infecções, além de que o crescimento e o desenvolvimento de crianças
submetidas a tratamentos prolongados devem ser monitorados, visto que a
eliminação do medicamento pode estar reduzida em pessoas idosas, podendo causar
reações adversas sobre o tecido ósseo e o metabolismo dos carboidratos, recomenda-se
reduzir a dose administrada. Em função da relatada associação de corticoides
com algumas formas de defeitos congênitos e com retardo no crescimento fetal, é
recomendável não administrar o cloprednol em mulheres grávidas. Do mesmo modo,
aconselha-se não administrar a mulheres durante a amamentação, pois podem
ocorrer sinais de hipoadrenalismo nos lactentes.
Interações.
A coadministração de cloprednol com
fenitoína, barbitúricos, efedrina e rifampicina, diminui os níveis sanguíneos
do cloprednol. A combinação com diuréticos que produzem depleção de potássio
pode induzir a eliminação de cloprednol, diminuindo a concentração sangüínea
deste último. A administração de cloprednol juntamente com esteróides requer
redução da dose de cloprednol, a qual deverá ser reavaliada uma vez finalizada
a terapia estrogênica. Como o cloprednol produz efeito hiperglicemiante, é
necessário incrementar as doses dos medicamentos hipoglicemiantes. A
administração de cloprednol com salicilatos e anticoagulantes requer aumento da
dose destes últimos.
Contraindicações.
Pacientes que apresentam infecções
micóticas sistêmicas, hepatite viral não complicada, insuficiência hepática
fulminante, queratite por herpes simples, vacinações com produtos vivos e
hipersensibilidade ao fármaco.