Ações terapêuticas.
Tratamento da obesidade.
Propriedades.
Este novo agente terapêutico está
dirigido para o tratamento medicamentoso da obesidade e do excesso de peso, já
que modifica a absorção das gorduras no intestino, sem suprimir o apetite. Como
se sabe, as gorduras que ingerimos são moléculas grandes que, para
dissolver-se, necessitam ser rompidas e transformadas em moléculas menores por
ação enzimática. O mecanismo de ação do orlistat é realizado sobre a enzima
lipase, que é a que degrada e diminui as moléculas de gordura da alimentação. O
orlistate é um inibidor potente, específico e de ampla ação sobre as lipases
gastrintestinais. Seu efeito terapêutico é exercido na cavidade gástrica e na
luz do intestino delgado mediante formação de uma ligação covalente no sítio
ativo da serina das lipases gástrica e pancreática. A inativação enzimática
impede a hidrólise das gorduras, em forma de triglicerídeos, para originar
ácidos graxos livres e monoglicerídeos absorvíveis. Por ação do orlistate sobre
as lipases, mais de 30% das gorduras ingeridas com as comidas atravessam o tubo
digestivo sem ser digeridas nem absorvidas.Deste modo, o organismo não pode
transformar estas calorias em excesso em tecido adiposo de reserva. Assim,
pois, não é necessária a absorção sistêmica do fármaco para que exerça sua
atividade. A absorção gastrintestinal deste agente é muito baixa após
administração por via oral e, 8 horas após, já não é detectado no plasma (>
5ng/ml). O volume de distribuição e a farmacocinética são difíceis de
determinar; detectou-se uma elevada ligação proteica (< 99%), principalmente
com as lipoproteínas plasmáticas. Sua biotransformação metabólica é realizada
na parede gastrintestinal; identificaram-se dois metabólitos principais: M
1 e M 3 que são praticamente desprovidos de ação inibitória
sobre as lipases (1000 a 2500 vezes menos potentes que o orlistate). A
principal via de eliminação do fármaco é a fecal (97% da dose administrada) e a
maior parte (83%) é feita sem modificações; eliminação renal do fármaco e dos
seus metabólitos é mínima (< 2% da dose administrada).
Indicações.
Obesidade. Excesso de peso patológico.
Posologia.
Adultos: a dose recomendade é de 1
cápsula de 120 mg juntamente com cada refeição principal (tomada durante a
mesma ou até 1 hora depois). Se determinada refeição não contém gordura, a dose
pode ser omitida. Os benefícios terapêuticos (incluídos o controle de peso e a
maioria dos fatores de risco) são mantidos com a administração de longo prazo.
O paciente deve seguir uma dieta nutricionalmente equilibrada e moderadamente
hipocalórica, na qual cerca de 30% das calorias provenham das gorduras.
Recomenda-se que a dieta seja rica em frutas e verduras. A quantidade de
gorduras, carboidratos e proteínas ingeridas diariamente deve ser distribuída
entre as 3 principais refeições. Com doses superiores a 120 mg 3 vezes ao dia,
os resultados obtidos não são aumentados. Nos idosos não é necessário ajuste de
dose. Nas determinações de gorduras fecais, o efeito do orlistate é observado
já 24-48 horas após a administração. Quando a terapia é interrompida, o
conteúdo de gorduras fecais retorna aos níveia basais em geral no espaço de 48
a 72 horas.Na insuficiência hepática ou renal, não é necessário ajuste de dose.
Não está estabelecida a inocuidade do medicamento em crianças e adolescentes
menores de 18 anos.
Superdosagem.
Não foi ainda estabelecida a
superdosagem. Estudaram-se doses únicas de 800 mg e doses múltiplas de até 400
mg 3 vezes por dia durante quinze dias em indivíduos com peso normal e em
obesos, sem que se obtivessem achados adversos significativos. Além disso,
administraram-se doses de 240 miligramas 3 vezes por dia, durante 6 meses a
pacientes obesos. As doses superiores à recomendada (120 mg três vezes por dia)
não melhoraram a eficácia do medicamento, porém podem exacerbar as reações
gastrintestinais. Em caso de superdosagem, recomenda-se observar o paciente
durante 24 horas. Segundo estudos realizados em seres humanos e animais, qualquer
efeito sistêmico atribuível às propriedades do orlistate em função de inibição
das lipases deve ser rapidamente reversível.
Reações adversas.
A maioria dos efeitos adversos está
relacionada a sua ação sobre a absorção das gorduras ingeridas e correspondem a
fenômenos gastrintestinais como fezes gordurosas, flatulência, premência fecal,
entre outros, ou manchas gordurosas na pele. Estes efeitos são mais frequentes
quando o conteúdo de gorduras na dieta aumenta, sendo por isto que os pacientes
devem ser aconselhados quando a este aspecto da dieta.
Precauções.
Nos ensaios clínicos de longa duração
realizados até o presente não foram registrados efeitos adversos graves ou
riscos para a saúde. Pode haver aumento de probabilidade de reações
gastrintestinais (ver Reações adversas) se o orlistate for tomado com dieta
rica em gorduras (por exemplo: em uma dieta de 2.000 calorias/dia, > 30% de
conteúdo lipídico correspondem a > 67 g de gorduras). A ingestão diária de
gorduras deve ser distribuída entre as 3 principais refeições. Não foi
estabelecida a inocuidade em mulheres grávidas. Nos estudos de reprodução
animal não foram observados efeitos embriotóxicos nem teratogênicos. Apesar
disto, dado que os estudos em animais nem sempre são preditivos da resposta em
seres humanos, não deve ser utilizado durante a gravidez a menos que o
benefício esperado supere os possíveis riscos. Dado que a eliminação do orlistat
pelo leite materno não é conhecida, as mulheres lactantes não devem fazer uso
do medicamento, salvo que o benefício esperado seja maior que os possíveis
riscos.
Interações.
Não se produzem interações com
fármacos de uso frequente como digoxina, fenitoína, varfarina, anovulatórios,
orais, nifidipina GITS, nifedipina retard, gliburida, furosemida, captopril e
atenol, nem com o álcool. Não obstante o orlistate aumenta a biodisponibilidade
da pravastatina (aumento das concentrações plasmáticas em cerca de 30%), assim
como seu efeito hipolipemiante. Nos ensaios clínicos foram utilizados
concomitantemente uma série de medicamentos diferentes, sem que se observassem
interações adversas clinicamente significativas. Nos estudos de interações
farmacocinéticas, o orlistate inibiu a absorção dos suplementos orais de alguns
nutrientes lipossolúveis, como o b-caroteno (cerca de um terço) e o acetato de
vitamina E (cerca da metade), porém não a do acetato de vitamina A, nem reduziu
as concentrações da vitamina K ingerida com os alimentos. Nos ensaios clínicos,
diminuíram as concentrações de algumas vitaminas lipossolúveis e análogos.Na
imensa maioria dos pacientes que prosseguiram em tratamento até 2 anos, as
concentrações de vitaminas permaneceram dentro dos níveis normais, sem que se
detectassem sequelas clínicas. Nos pacientes diabéticos, a perda de peso
induzida pelo orlistate é acompanhada por melhora do controle metabólico, o que
pode permitir ou requerer diminuição das doses do hipoglicemiante oral (p.ex.:
sulfonilureias).