Ações terapêuticas.
Hipoglicemiante.
Propriedades.
É um agente hipoglicemiante
pertencente à família das sulfonilureias (glibenclamida, clorpropamida).
Administra-se por via oral e seu efeito dura 12 horas ou mais. Promove o
aumento da secreção de insulina por parte das células b das ilhotas do
pâncreas, mediante um procedimento que ainda não está esclarecido. Diminui a
glicogenólise e a gliconeogênese hepática e aparentemente aumenta a
sensibilidade à insulina dos tecidos extrapancreáticos. Dessa maneira ocorre
uma diminuição da glicose no sangue somente naqueles pacientes capazes de
sintetizar insulina. Os hipoglicemiantes orais não influenciam a produção de
insulina pelas células b, porém parecem potencializar sua liberação. Também
parece reforçar o efeito dos mesmos níveis de hormônio antidiurético presentes
nos pacientes com diabetes insípida central parcial. Absorve-se em grau
variável no trato gastrintestinal, liga-se extensamente às proteínas
plasmáticas, o qual está relacionado com sua elevada meia-vida (10 a 12
horas).Metaboliza-se extensamente no fígado para dar origem a metabólitos com
escassa ou nula atividade hipoglicemiante. Os metabólitos e parte da droga
inalterada excretam-se por via renal.
Indicações.
Diabetes mellitus do adulto
não-insulinodependente, estável, leve ou moderadamente grave, não-cetótica e
que não pode ser controlada somente com a dieta. Diabetes insípida central
parcial.
Posologia.
Dose inicial 40 a 80 mg/dia;
incrementar gradualmente até 320 mg/dia se for necessário. Doses superiores a
160 mg dividem-se em duas tomadas, uma com o almoço e outra com o jantar.
Reações adversas.
Dependem em geral da dose
administrada, são transitórias e respondem à diminuição ou supressão do
tratamento. Em ocasiões relataram-se icterícia colestática, náuseas, diarreias,
vômitos, anorexia e sensação de fome; também prurido, urticária e erupções
maculopapulosas. Com o uso de sulfonilureias observaram-se leucopenia,
agranulocitose, trombocitopenia, anemia hemolítica, anemia aplásica e
pancitopenia. Descreveram-se também: dificuldade para respirar, sensação de
falta de ar, sonolência ou cãmbras musculares, crises convulsivas.
Precauções.
Administrar com precaução em pacientes
de idade avançada, debilitados ou desnutridos e naqueles com insuficiência
suprarrenal ou hipofisária, ou com disfunção hepática ou renal pois são
especialmente sensíveis à ação hipoglicemiante dos medicamentos que diminuem a
glicose. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos das sulfonilureias podem
levar à maior incidência de infecções microbianas, atraso na cicatrização e
hemorragia gengival. Por não existirem provas conclusivas, recomenda-se não
utilizar em gestantes a menos que o benefício para a mãe supere o risco
potencial para o feto, além disso, deve-se suspender a administração um mês
antes do parto e também durante a lactação.
Interações.
Os glicocorticoides, as anfetaminas,
os diuréticos, os hormônios tireoideanos e a fenitoína aumentam a concentração
de glicose no sangue, por isso pode ser necessário ajustar a dose quando forem
utilizados em forma simultânea com hipoglicemiantes orais. O álcool com hipoglicemiantes
orais pode produzir cãibras abdominais, náuseas, vômitos, sufoco, hipoglicemia.
O alopurinol pode inibir a secreção tubular renal da gliclazida. Os esteroides
anabólicos ou andrógenos podem diminuir a concentração de glicose no sangue. O
uso simultâneo com anticoagulantes derivados da cumarina pode levar a
concentrações plasmáticas elevadas de ambos medicamentos. Os analgésicos
anti-inflamatórios não-esteroidais, cloranfenicol, clofibrato ou IMAO podem
potencializar o efeito hipoglicemiante da gliclazida. A carbamazepina, a
desmopressina ou a vasopressina podem potencializar o efeito antidiurético
desse fármaco e diminuir seu efeito quando administrado com estrogênios.
Cetoconazol ou miconazol utilizados simultaneamente com gliclazida provocam
hipoglicemia grave.
Contraindicações.
Acidose, queimaduras graves, coma
diabético, infecção grave, cetoacidose e deve-se avaliar a relação
risco-benefício em presença de insuficiência suprarrenal, febre elevada,
disfunção hepática ou renal, insuficiência hipofisária. Hipersensibilidade
conhecida ao fármaco. Diabetes mellitus insulinodependente (forma juvenil).