Ações terapêuticas.
Glicocorticoide.
Propriedades.
Trata-se de um potente
glicocorticoide, cuja potência é superior à da prednisolona, visto que 0,3 mg
de cortivazol são equivalentes em atividade anti-inflamatória a 5 mg de
prednisolona. Como todos os glicocorticoides, difunde-se através da membranas
celulares e forma complexos com os receptores citoplasmáticos específicos.
Estes complexos penetram no núcleo da célula, ligam-se ao DNA, estimulam a
transcrição do RNAm e a posterior síntese de várias enzimas responsáveis pelos
efeitos dos corticosteroides sistêmicos. Diminui ou previne as respostas do
tecido aos processos inflamatórios e reduz os sintomas da inflamação sem tratar
a causa subjacente. Inibe o acúmulo de células inflamatórias, incluindo macrófagos
e leucócitos, na zona de inflamação. Inibe a fagocitose, a liberação de enzimas
lisossômicas e a síntese ou a liberação dos mediadores químicos da inflamação.
Reduz a dilatação e a permeabilidade capilar e também a aderência dos
leucócitos ao endotélio capilar. Na qualidade de imunossupressor, pode atuar na
prevenção ou supressão das reações imunes mediadas por células.Reduz a
concentração de linfócitos timo-dependentes, monócitos e eosinófilos. Diminui a
ligação das imunoglobulinas aos receptores celulares de superfície e inibe a
síntese ou liberação das interleucinas; assim, diminui a blastogênese dos
linfócitos T e a importância da resposta imune primária. Apresenta alta
porcentagem de ligação a proteínas plasmáticas. Por via oral, é absorvido de forma
rápida, sendo metabolizado no fígado. É excretado principalmente por eliminação
renal dos metabólitos inativos.
Indicações.
O cortivazol está indicado no
tratamento de várias patologias por seus efeitos anti-inflamatórios e
imunossupressores; proporciona alívio sintomático, porém é desprovido de efeito
sobre o desenvolvimento da doença subjacente. Terapêutica substitutiva no
tratamento de insuficiência suprarrenal, hepatite alcoólica por encefalopatia,
hepatite crônica ativa, necrose hepática subaguda. Tratamento do choque por
insuficiência adrenocortical e como coadjuvante no tratamento do choque
associado a reações anafiláticas. Enfermidades alérgicas ou inflamatórias,
enfermidades reumáticas, enfermidades dermatológicas (dermatite, líquen, pênfigo,
psoríase) e doença do colágeno.
Posologia.
Via oral: 0,4 mg a 3,2 mg/dia. Via
intra-articular: 1,25 mg a 3,75 mg em função do tamanho da articulação,
repetindo-se a intervalos de 1 a 3 semanas.
Reações adversas.
Estas são as conhecidas dos
corticosteroides e aumentam com a duração do tratamento ou com frequência da
administração, e em menor grau com a dose. A administração local reduz, mas não
elimina, o risco de efeitos sistêmicos. Assinalaram-se: úlcera péptica,
pancreatite, acne ou problemas cutâneos, síndrome de Cushing, arritmias,
alterações do ciclo mestrual, fraqueza muscular, náuseas ou vômitos, estrias
avermelhadas, hematomas. Entre as de incidência menos frequente citam-se: visão
turva ou diminuída, redução do crescimento em crianças e adolescentes, aumento
da sensação de sede, ardência, adormecimento, dor ou formigamento próximo ao
local de injeção, alucinações, depressão ou outras alterações do estado de
ânimo, hipotensão, urticária, sensação de falta de ar e sufocação.
Precauções.
Não se recomenda a administração de
vacinas contendo vírus vivo em pacientes que recebem doses farmacológicas de
corticoides, dada a possibilidade de a replicação viral das vacinas ser
potencializada. Pode ser necessário aumentar a ingestão de proteínas durante os
tratamentos de longa duração. Recomenda-se observar repouso da articulação após
a injeção intra-articular. Durante o tratamento o risco de infecção aumenta; em
pacientes pediátricos ou geriátricos aumenta o risco de efeitos adversos.
Recomenda-se administração de dose mínima eficaz durante o tempo mais curto
possível. É muito provável que os pacientes de idade avançada sob tratamento
com corticoides desenvolvam hipertensão; as mulheres podem desenvolver
osteoporose.
Interações.
O uso simultâneo com paracetamol
aumenta o risco de hepatotoxicidade devido a este último. O uso com
anti-inflamatórios não esteroidais (AINE) pode aumentar o risco de úlcera ou
hemorragia gastrintestinal. A anfotericina B juntamente com corticoides pode
provocar hipocalemia grave. Pode haver aumento do risco de edema com o uso
simultâneo de andrógenos ou esteroides anabolizantes. Diminuem os efeitos dos
anticoagulantes derivados da cumarina, heparina, estreptoquinase ou uroquinase.
Os antidepressivos tricíclicos podem exacerbar as perturbações mentais
induzidas pelos corticoides. Podem aumentar a glicemia e portanto será
necessário adequar a dose de insulina ou dos hipoglicemiantes orais. As
alterações no quadro tireoideano do paciente ou nas doses de hormônios
tireoideanos (se estiver sob tratamento com estes fármacos) podem requerer
reajuste das doses dos corticosteroides, visto que no hipotireoidismo o
metabolismo dos corticoides está diminuído e no hipertireoidismo está
aumentado.Os anticoncepcionais orais ou estrógenos aumentam a meia-vida dos
corticoides e, assim, seus efeitos tóxicos. Os glicosídeos digitálicos aumentam
o risco de arritmias. O uso de outros imunossupressores com doses
imunossupressoras de corticoides pode elevar o risco de infecção e a
possibilidade de desenvolvimento de linfomas ou outros transtornos
linfoproliferativos. Pode acelerar o metabolismo da mexiletina, com diminuição
de sua concentração do plasma.
Contraindicações.
Para todas as indicações a relação
risco/benefício deve ser avaliada na presença de AIDS, cardiopatia,
insuficiência cardíaca congestiva, hipertensão, diabetes mellitus, glaucoma de
ângulo aberto, disfunção hepática, miastenia gravis, hipertireoidismo,
osteoporose, lúpus eritematoso, tuberculose ativa e disfunção renal grave.